Jorge E. Leal
Nadamos bem serenos na lagoa,
O sol aquece as penas, calmaria;
Nossa mente em pânico agora voa,
Pela superfície a paz não viria.
O inferno desumaniza crescendo,
A nossa antiga música por fim;
E o nosso corpo treme esmorecendo,
Ao som do fuzil vimos dançar assim.
Ao grande e eterno, absoluto abismo,
Buscamos a fundo vida em compasso,
Nesse mergulho cego do heroísmo.
A morte agora corre no banhado,
O nosso ninho já não pulsa mais;
O mar vermelho agora está calado.