Vale a Pena Viver Poesia
A inteligência vale a pena se ancorada na sabedoria como alma das nossas ações — Jorge E. Leal
Textos

Os mais daninhos ku-vermelhos

Jorge E. Leal

Pela floresta pululam seres estranhos. Destes bichos esquisitos sobram os ku-vermelhos que se espalham aos bandos em sua dança louca rumo ao vazio dentro de tudo; bizarro.

Também sobrevivem os ku-azul em meio a tantas e tamanhas hordas esquálidas de esdrúxulas criaturas.

São os ku-vermelhos que se espalham como gafanhotos vorazes em meio à plantação de milho, devorando tudo antes de partir. Assim como o toque de Midas, os ku-vermelhos têm o dom e o toque de merdas, verdadeira maldição dos Deuses.

E ainda, aparecem perdidos os ku-dourados, os verdadeiros seres iluminados perdidos no meio da floresta; sem saber o que se passa, tornam-se presas vulneráveis no caos, ficando em cima do galho, parados e apáticos, sem saber o que fazer ou para onde ir.

Mas, diante dessa invasão voraz, os ku-dourados, obrigados, começam a flutuar silenciosamente sobre os caules decepados do milharal. Sua luz mística queima, mas não cega o apetite dos bandos destrutivos.

À medida que o brilho se expande, os violentos ku-vermelhos estancam sua dança louca, hipnotizados pela claridade da luz que preenche momentaneamente o vazio da escuridão de suas existências.

Enquanto isso, os ku-azul observam calados do topo das árvores secas, estáticos como gárgulas de gelo, recuando para as sombras em busca da luz, como meras testemunhas. O silêncio reina e finalmente engole a floresta, transformando a terra devastada em um santuário estático, onde o tempo desiste de passar. Esquecendo-se completamente do passado de luta e glórias, tudo volta a ser como antes.

JORGE E LEAL
Enviado por JORGE E LEAL em 11/10/2026
Alterado em 11/10/2026
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