A perda não espera o fim nesse instante,
Não há silêncio que não preceda a morte;
O grito que vem primeiro, forte na estante,
Cravando na memória a agonia sem sorte.
O amor não se divide na distância pouca,
Nem vira cinzas ao se queimar no fogo;
Ele é o peso bruto desse jogo sem touca,
A carne vive humana na relevância no jogo.
Se na escuridão viaja todo o infinito hostil,
Eu me prendo nos pés do chão a realidade,
Por flutuar no nada é o meu limite mais vil.
Prefiro a dor real dessa luz de verdade:
O amor é âncora que o ser humano viu.
Não quero a luz no engano da saudade.